Cidadania portuguesa por descendência: quem tem direito e como funciona (Guia 2026)
- Visconde Cidadania Europeia
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Você tem um avô ou avó português? Então provavelmente já ouviu falar que tem direito à nacionalidade portuguesa. Mas você sabia que, desde maio de 2026, bisnetos de portugueses também podem ter esse direito? Diferente do que aconteceu com a cidadania italiana, a reforma mais recente da lei portuguesa não fechou portas: ela abriu uma nova, ainda pouco conhecida.
Neste guia, explicamos quem tem direito à nacionalidade portuguesa por descendência, o que mudou com a reforma de 2026 e quanto tempo o processo tem levado na prática.
Quem tem direito à nacionalidade portuguesa por descendência
Filhos de português: via mais direta, com menos exigências documentais.
Netos de português: continuam com direito, mesmo sem nunca ter morado em Portugal, mas agora precisam comprovar um vínculo real com o país (explicamos abaixo o que isso significa).
Bisnetos de português: passaram a ter uma via direta desde a reforma de maio de 2026, mas com um requisito importante (residência legal em Portugal). Também existe um caminho alternativo, o encadeamento familiar, que não exige residência. Explicamos os dois abaixo.
Vale mencionar que também existe a via de nacionalidade portuguesa por casamento ou união de facto com um cidadão português, um caminho diferente da descendência e que não é o foco deste guia. Vamos explorar esse tema com mais profundidade em um post futuro.
O que mudou com a Lei Orgânica nº 1/2026
Em 18 de maio de 2026 foi publicada a Lei Orgânica nº 1/2026, que entrou em vigor no dia seguinte e representa a 11ª alteração à Lei da Nacionalidade (Lei nº 37/1981), a mais profunda dos últimos anos. As mudanças mais relevantes:
O prazo mínimo de residência para naturalização (via diferente da descendência) subiu de 5 para 7 anos para cidadãos de países de língua portuguesa (incluindo brasileiros) e para 10 anos para os demais estrangeiros.
Deixou de existir a atribuição automática de nacionalidade a filhos de estrangeiros nascidos em Portugal: agora exige manifestação de vontade e comprovação de que um dos pais residia legalmente no país há pelo menos 5 anos no momento do nascimento.
Para netos, a via por descendência continua sem exigir residência em Portugal, mas passou a exigir a comprovação de "ligação efetiva à comunidade portuguesa".
Passou a existir uma nova via direta para bisnetos, mas essa via exige residência legal em Portugal por pelo menos 5 anos, além da mesma comprovação de ligação efetiva e do conhecimento de língua, cultura e história portuguesas.
O regime especial de naturalização para descendentes de judeus sefarditas, criado em 2015, foi extinto: não aceita mais novos pedidos desde 19 de maio de 2026 (quem já tinha protocolado antes dessa data continua sob as regras anteriores). Vamos nos aprofundar nesse tema em um post futuro.
O que é "ligação efetiva à comunidade portuguesa"
Esse é o requisito central da reforma para quem pede por neto, e também um dos requisitos da nova via direta para bisnetos. Na prática, passou a exigir:
Conhecimento básico da língua portuguesa.
Conhecimento de cultura, história e símbolos nacionais.
Conhecimento de direitos e deveres fundamentais.
Declaração solene de adesão aos princípios do Estado de direito democrático.
Importante: para netos, isso não significa morar em Portugal. É uma comprovação de vínculo, não de residência. Já para a nova via direta de bisnetos, esse requisito se soma a outro, explicado a seguir: residência legal em Portugal.
Bisnetos: os dois caminhos possíveis desde a reforma
Antes da Lei Orgânica nº 1/2026, um bisneto de português só tinha um caminho indireto para a nacionalidade: o encadeamento familiar, explicado no próximo tópico. A reforma trouxe uma segunda opção, uma via direta, mas com um requisito que muita gente ainda confunde: essa via exige residência legal em Portugal por pelo menos 5 anos, além da comprovação de ligação efetiva com a comunidade e do conhecimento de língua, cultura e história portuguesas. Ou seja, não é um caminho aberto para quem nunca morou em Portugal: é mais uma opção para quem já reside, ou pretende residir legalmente, no país.
A via do encadeamento familiar
Essa via já existia antes da reforma e continua sendo, na prática, o caminho mais usado por bisnetos que não residem em Portugal. Funciona em etapas: primeiro, um dos ascendentes intermediários vivos (o avô, a avó, o pai ou a mãe) precisa obter o reconhecimento da própria cidadania portuguesa. A partir do momento em que esse ascendente é reconhecido como português, o requerente deixa de ser tecnicamente "bisneto" e passa a se enquadrar como neto ou filho de um cidadão português, seguindo então o processo já estabelecido dessas categorias, sem exigência de residência em Portugal.

Ou seja: para bisnetos que não moram em Portugal, o encadeamento familiar costuma ser o caminho mais indicado. Já a nova via direta faz mais sentido para quem já está estabelecido, ou planeja se estabelecer, legalmente no país.
Quanto tempo demora o processo
O prazo varia bastante conforme a conservatória responsável e a idade do requerente:
Adultos: entre 18 meses e mais de 3 anos, dependendo da fila da conservatória e da qualidade da instrução documental do processo. Atualmente há cerca de 71 mil processos de netos de portugueses represados no sistema.
Menores de idade: o processo tem sido significativamente mais rápido em 2026.
Como saber se você tem direito
A resposta depende de detalhes específicos da sua árvore genealógica e da documentação disponível: cada família tem um histórico diferente, e pequenos detalhes (como a época em que o ascendente português emigrou, ou se ele manteve algum vínculo formal com Portugal) mudam a análise. Por isso, o primeiro passo é sempre uma avaliação individual do seu caso antes de reunir documentação ou dar entrada em qualquer pedido.
Perguntas frequentes
Ainda dá para pedir por neto sem morar em Portugal?
Sim. A via continua existindo sem exigência de residência, mas agora exige comprovação de ligação efetiva com a comunidade portuguesa.
Bisneto de português já pode pedir cidadania?
Sim, mas por um de dois caminhos. A via direta, criada pela Lei Orgânica nº 1/2026, exige residência legal em Portugal por pelo menos 5 anos, além da ligação efetiva com a comunidade e conhecimento de língua, cultura e história. Já a via do encadeamento familiar, que já existia antes da reforma, não exige residência: depende de um ascendente intermediário vivo (avô, avó, pai ou mãe) obter primeiro o próprio reconhecimento como português, para então o requerente seguir como neto ou filho.
Preciso falar português fluente?
A lei exige conhecimento básico da língua, não fluência. O nível exato de exigência costuma ser avaliado caso a caso.
Este conteúdo tem caráter informativo e reflete a legislação vigente até a data de publicação. Não substitui uma análise individual do seu caso.



